quinta-feira, 19 de julho de 2007

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Estratégias para desenvolver competências e habilidades de pesquisa


Contextualizados no mundo em que vivemos, percebemos que uma das competências mais exigidas do ser humano, hoje, é a capacidade de selecionar e tratar as informações, construindo conhecimento, ou seja, pesquisar. Como afirma Demo: “a base da educação escolar é a pesquisa, não a aula, ou o ambiente de socialização, ou a ambiência física, ou o mero contato entre professor e aluno”. (DEMO, 1997,p.6)
Em educação para obtermos sucesso é importantíssimo que, antes de tudo, que o professor tenha uma postura de pesquisador, uma postura de respeito para com o educando e um olhar otimista - positivo.

O professor deixará de ser mero transmissor de informação para ser intermediário no processo de elaboração do conhecimento, pois este não se transmite, o conhecimento se cria, se constrói. A mudança não é fácil pois existe muita resistência por parte de alguns educadores, mas é preciso “Vencer uma série de preconceitos e resistências. Por um lado vencer as representações deterministas de que alguns alunos são mais capazes que outros e aceitar que nem tudo está definido na vida. É preciso acreditar que os alunos podem dominar os mínimos necessários desde que lhe sejam dadas condições adequadas de aprendizagem. PERRENOUD,P, 2000

A criança é muito curiosa e chega à escola ávida para pesquisar, descobrir novos conhecimentos. Sente uma alegria imensa ao aprender coisas novas. Esses fatores inerentes ao pequeno aprendiz podem vir a se tornar grandes aliados do professor. Quando o professor investe nesse filão, utilizando-se de projetos pedagógicos que utilizem a pesquisa, este professor está indo de encontro a necessidades intrínsecas do aluno: conhecimento, interesse e novidade. Em primeiro lugar o professor precisa estar convencido da importância desta ferramenta.Saber dos possíveis usos da ferramenta; estar consciente da importância de ouvir os alunos, em suas indagações; ser capaz de articular pesquisa X conteúdo a ser desenvolvido. Por isso, estamos entendendo que, uma pesquisa significativa deve partir do conhecimento e da realidade do aluno, em busca de respostas a problemas e questionamentos
O professor desenvolve competências e habilidades quando adota um novo paradigma educacional, centrado na aprendizagem e não no ensino, assim teremos o professor como mediador e desafiador (desestruturador), que vai facilitar a aquisição e desenvolvimento da aprendizagem.
Desenvolver competências e habilidades requer do educador mudança na sua prática pedagógica. O professor deverá trabalhar por resolução de problemas e por projetos, propor tarefas complexas e desafios que incitem os alunos a mobilizar seus conhecimentos, habilidades e valores. O professor deverá propiciar condições para que o educando desenvolva suas potencialidades para que seja individuo consciente e capaz na construção de conhecimento. “Ao invés da memorização de conteúdos, o aluno irá exercitar suas habilidades, que o levarão à aquisição de novas competências.” (Nota 10: Jornal Mensal sobre Educação - Ano I nº 4 agosto/99)

A contemporaneidade, cada vez, mais tem demandado uma escola equilibrada que ofereça um ensino de qualidade e atualizado, antenado com as inovações tecnológicas, ensinando além das disciplinas recomendadas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais a informática ( com todas as suas possibilidades: flog, blog, videolog, rádio, MSN, ...) que abrem e ampliam novos horizontes, possibilitando ao aprendiz a sua inserção nesta aldeia global, na qual vivemos.
Esta inserção, assim como, a construção de conhecimentos relacionados a apropriação dessas ferramentas e de outros conhecimentos, precisam acontecer dentro de um ambiente que mobilize o prazer do aprendiz em construir seu processo de
aprendizagem.Neste sentido, espera-se que a escola invista na formação continuada dos seus professores. Formação esta, que os levem a conhecer os potenciais educacionais dos recursos tecnológicos, que estejam ao seu dispor,assim como também, de utilizá-los em benefício de suas propostas didático-pedagógicas.
Igualmente importante é a atualização e reorganização do currículo e do projeto político pedagógico da unidade escolar.
Esta formação exige das universidades, cursos que superem a idéia do aluno
assistir a aula para copiar a matéria e fazer provas. Segundo Demo (2002) é necessário
que o aluno aprenda a pesquisar. A pesquisa precisa ser vista como uma atividade
básica e permanente da vida acadêmica, sendo esta definida pela teoria na prática,
dentro dos contextos de cada realidade. Ainda de acordo com Demo (2002), o aluno que
aprende a pesquisar, aprende a habilidade mais básica para a sua permanente renovação
profissional.
A pesquisa na sala de aula, mais do que possibilitar a aquisição de
conhecimentos, possibilita a metacognição, isto é, aprender por conta própria,
o aprender a aprender contribuindo, conseqüentemente, para a a formação da
competência e autonomia do sujeito, pois , o aluno é desafiado a exercitar a atenção, a memória e o pensamento autônomo. Além disso, a parceria proporcionada entre professor e alunos possibilita a construção de aprendizagens significativas e duradouras.
Em primeiro lugar, é preciso mobilizar o aluno para a cultura da pesquisa e da elaboração de projetos que podem, também, serem facilitados pela Internet. Esta mobilização visa uma série de atitudes como interesse, motivação, atenção, compreensão, participação e expectativa de aprender a conhecer, a fazer, a conviver e a ser pessoa. Para tanto, faz-se necessário, que, nós professores estejamos conscientes do nosso papel de mediadores, facilitadores, instrutores Ou, como nas palavras de Vygotsky, um mediador que atuará na zona do desenvolvimento proximal desse processo, através de algumas estratégias como:orientar, diante das diversas fontes disponíveis, especialmente as eletrônicas, os melhores sites, indicando links que realmente trazem a informação segura;assim como também, proporcionar estudo sobre métodos e técnicas de estudo pois, pesquisar não é simplesmente dar um tema e deixar que os alunos, sozinhos, enfrentem esta empreitada. Exige desenvolver com eles competências de análise e síntese, contextualizar a pesquisa; registrar as percepções e/ou crenças que os alunos possuem, a respeito do assunto; levantar dúvidas, formular questões e subquestões e buscar respostas; levantar inferências a partir dos próprios registros; descobrir novas relações, utilizando o material coletado; redefinir conceitos; pesquisar informações para encontrar soluções para certezas ou dúvidas; refinar pesquisas das informações; comparar e contrastar diferentes possibilidades de relações entre o estudo realizado e novos estudos; de interpretação da realidade à luz de uma contextualização sócio-histórico-cultural, de tratar e coletivizar as informações para o grupo e finalmente usar o material coletado para originar um trabalho de produção original e autônomo; formulado para atender as necessidades reais e dinâmicas da vida.
Este trabalho, favorece que as crianças tenham uma maior iniciativa; possibilita aprender por construção e re-construção e não por transferência. Implica, também, num intenso envolvimento ativo e reflexivo dos alunos. Possibilitando a evocação dos conhecimentos que os alunos trazem de sua vivência e aprendizagem anterior.Porém, não podemos esquecer, que deve haver equilíbrio entre as atividades de pesquisa em grupo e as atividades individuais.
Concluo com as palavras de Pedro Demo”É essencial a convivência com os alunos com estratégias de pesquisa, através das quais são motivados a toda hora a pelo menos digerir o que escutam através de exercícios pessoais. “Tomar nota “ é preciso, mas é pouco. Toma-se nota, para poder reelaborar, não para decorar. “Decorar” deveria ser riscado do mapa, be como a “prova”, a não ser como expediente conjuntural e opertivo. Porquanto não há nisso nada “didático”, absolutamente nada “educativo-emancipatório”. É todo o contrário de pesquisa. (p.87, 1990)

2. RELAÇÃO ÉTICA COM O CONHECIMENTO PRODUZIDO POR OUTROS AUTORES.
Da mesma forma, a escrita que se inicia pela cópia do pensamento de autores, da síntese-cópia de artigos, do resumo de livros, precisa ser exercitada para alcançar patamares mais complexos de elaboração, chegando mesmo à elaboração própria (Demo,1991)
Segundo Pedro Demo, O professor precisa investir na idéia de chegar a motivar o aluno a fazer elaboração própria, colocando isso como meta da formação.. Caso contrário, não mudamos a condição de analfabeto no aluno, que apenas lê, sem interpretar com propriedade(”Demo, 1991, p.87)
Todos os saberes devem ser construídos, ensinados, empoderados, aprendido, etc E uma das habilidades que devem ser refletidas, com os alunos, é sobre o conceito de posse.Daí, pedir que o aluno traga refêrencias extras ao material estudado em sala de aula, para que seja, feita uma análise das bibliografias presentes nos materiais consultados com um posterior debate sobre a importância e o porquê, das mesmas.Visando a uma conscientização. Procedendo-se, a seguir, a um debate com os colegas., sobre a temática em tela.
Cabe aos professores ao solicitarem algum tipo de trabalho, em forma de pesquisa, orientar: sobre procedimentos de pesquisa; quanto a referenciação do material bibliográfico; indicar as melhores fontes de pesquisa; orientar quanto a interpretação das informações e o estabelecimento de conexões, entre as mesmas;elaborar desafios inteligentes que careçam de respostas “ inteligentes”, isto é, que exijam um nível de elaboração mais complexo como conclusões, inferências e ligações.
Para utilizarmos idéias de outras pessoas é de bom tom pedir permissão para fazê-lo.

3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DEMO, Pedro. Princípio científico e educativo. 2ed. São Paulo, SP: Autores Associados, 1991. Coleção educação contemporânea.
Rev. eletrônica Mestr. Educ. Ambient. ISSN 1517-1256, Volume 14, Janeiro a junho de 2005. acessado em: 17/07/2007
ALMEIDA, Maria Elizabeth B. Informática na Escola: da atuação à formação de
professores. Net. Artigos selecionados sobre Informática e Educação. 1998. Disponível
por:
http://www.divertire.com.br/

DEMO, Pedro. Educar pela pesquisa. Campinas, SP: Autores Associados, 1997.
MORAES, Márcia Cristina. Uma arquitetura de agentes improvisacionais para
apoio a visitação de museus baseada em computadores. Dissertação de Mestrado.
Porto Alegre: Mestrado em Informática/PUCRS, 1999.
MORAES, Márcia Cristina. Do Ponto de Interrogação ao Ponto: A Utilização dos
Recursos da Internet para o Educar pela Pesquisa. In: MORAES, R.; RAMOS, M. &
GALIAZZI, M.C. (Eds.) Pesquisa em Sala de Aula: Fundamentos e pressupostos.
Porto Alegre: PUCRS, 2002.
MORAES, Roque. Produção numa sala de aula com pesquisa: superando limites e
construindo possibilidades. In: Revista da Educação – Educação e Ciências e
Questões Afins. Porto Alegre, RS: EDIPUCRS, 2000.
MORAES, Roque; RAMOS, Maurivan & GALIAZZI, Maria do Carmo. Pesquisa em
Sala de Aula: Fundamentos e pressupostos. 2002.
MORAN, José Manuel. Mudar a forma de ensinar e de aprender com tecnologias. Net.
Artigos selecionados sobre Informática e Educação. 1998. Disponível por:
http://www.divertire.com.br/
http://www.educacional.com.br/entrevistas/entrevista0035.Acessado em 20/07/2007P
ERRENOUD, Philippe. Construir competências é virar as costas aos saberes ? In: PIMENTA, Selma
Garrido; GHEDIN Evandro. (Org.) Professor reflexivo no Brasil. Cortez, São Paulo

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